Despedimento abusivo PDF Imprimir e-mail
09-Jul-2004


  BV COVILHÃ PERSEGUE SINDICALISTA

A Direcção Regional de Castelo Branco do STAL interpôs uma providência cautelar para travar o processo de despedimento ilegal de movido pela direcção da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Covilhã contra um trabalhador por alegado «abuso de confiança».

 

O trabalhador, Carlos Farias, entrou para a Associação há cerca de quatro anos, onde exerce as funções de telefonista. Na carta de despedimento, que recebeu em 1 de Julho, é acusado de ter provocado um prejuízo no valor de um euro e 16 cêntimos em chamadas telefónicas pessoais.

O Sindicato contesta a justificação para o despedimento não só devido ao montante ridículo que está em causa, mas também porque existe uma circular que autoriza os trabalhadores a usar o telefone para chamadas pessoais, com excepção de ligações para telemóveis.

Este triste episódio, vergonhoso para uma instituição que tem como lema «Vida por Vida», representa na realidade o culminar de uma perseguição movida contra o trabalhador que, em Maio, aderiu a um greve convocada pelo STAL. Na altura foi-lhe marcada uma falta injustificada.

Em declarações à imprensa diária, de 7 de Julho, o presidente da direcção dos Bombeiros, Emídio Martins, pretendendo justificar aquela sanção disciplinar, questionou-se: «Como é que um trabalhador de uma entidade privada adere a uma greve da função pública?».

Demonstrando total ignorância dos Estatutos do STAL e um profundo desprezo pela legalidade democrática, aquele responsável afirmou ainda que «o sindicato devia era preocupar-se com outros assuntos porque não tem razão de ser nos bombeiros e, além, disso, existem contratos individuais e não colectivos».

Sobre o pedido de reunião efectuado pelo STAL para discussão do contrato colectivo de trabalho, o presidente da Associação foi peremptório «Não vamos conceder esta reunião» e insistiu na pergunta: «Sindicato da função pública numa entidade privada?»

Noutro passo, Emídio Martins, referindo-se ao delegado sindical despedido, afirma taxativamente: «o trabalhador é desestabilizador».

A verdade é que Carlos Farias tem desenvolvido uma intensa actividade sindical em defesa dos direitos dos trabalhadores, confrontando a direcção com um conjunto de reivindicações relacionadas com salários, horários, carreiras e funções. Por isso, desde que está na Associação, 17 outros trabalhadores sindicalizaram-se no STAL, facto que tem desagradado aos responsáveis.


Os trabalhadores sindicalizados têm sido objecto de discriminações, sendo normalmente excluídos dos prémios que são atribuídos em cada semestre aos bombeiros com boas prestações.

Como se tal não fosse o bastante para quebrar a espinha ao Sindicato, a direcção tentou então uma medida mais radical: despedindo o elemento mais destacado, pensou talvez que os outros 17 saíssem do Sindicato.

Em nota à imprensa, a estrutura regional qualifica esta «tentativa de despedimento como um acto repudiável, desumano e absolutamente condenável», próprio de «gente que detesta a actividade sindical e tudo o que ela representa».

Sublinhando que «o prestígio dos bombeiros está muito acima da arrogância e intolerância» reveladas, o STAL ressalva que «nunca confundiu a instituição com quem pratica estes actos», embora deixe claro que «nunca abdicará da defesa dos trabalhadores que representa», nem «calará os desmandos venham de onde vierem, por só desta forma se defendem e prestigiam as instituições, se constrói um país moderno e socialmente justo».

 

 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >

SEDE NACIONAL
Lisboa

Rua D. Luís I, 20 F
Tel: 210958400 | Fax: 210958469
Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o JavaScript terá de estar activado para que possa visualizar o endereço de e-mail
©2012 STAL, todos os direitos reservados.