Trabalhadores contestam estratégia privatizadora PDF Imprimir e-mail
07-Jul-2004


  RECOLHA DE LIXO EM VILA FRANCA DE XIRA

Os trabalhadores do sector da recolha de resíduos sólidos da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira contestam a estratégia privatizadora da autarquia para o sector, denunciam a falta de vontade política para a implementação de melhores soluções na gestão dos serviços e afirmam a disponibilidade para encetar as formas de luta necessárias que salvaguardem o carácter público daqueles serviços.

 

Em plenário ontem realizado pelo STAL, Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local, os trabalhadores do sector da recolha de resíduos sólidos condenaram a contratação de uma empresa para a recolha de lixos especiais no Concelho de Vila Franca de Xira, vulgo «monos» ou «monstros», bem como as intenções da autarquia que apontam para a futura privatização da recolha de resíduos sólidos no concelho.

Para além da contratação desta empresa, teme-se ainda que esteja previsto o recurso ao sector privado para a recolha de resíduos domésticos em três Freguesias do Concelho (Vialonga, Forte da Casa e Póvoa de Santa Iria), numa estratégia que o STAL e os trabalhadores consideram apontar para a futura privatização total destes serviços.

Gestão danosa

O STAL considera que a medida ora tomada pelo executivo camarário e as intenções privatizadoras em curso lesam gravemente os interesses da população e da autarquia.

Efectivamente, constituindo principal argumento na contratação da referida empresa para a recolha dos «monos» a falta de uma viatura apropriada, estranha o sindicato que não se tenha recorrido à adaptação de uma das viaturas actualmente ao serviço da autarquia, bastando para tal a colocação de painéis laterais, solução seguramente menos onerosa para os cofres da câmara.

Aliás, o STAL e os trabalhadores denunciam o facto de se estar a recorrer a uma viatura de três toneladas, quando a autarquia dispõe de carros com maior dimensão e mais apropriadas à recolha deste tipo de lixos (frigoríficos, colchões, máquinas de lavar, etc), bem com de trabalhadores em número suficiente para a realização desta tarefa.

O mesmo se passa no que concerne à intenção de recorrer a uma empresa para a recolha de lixos domésticos nas três freguesias da zona sul do concelho. Efectivamente, não colhe o argumento de que a autarquia não dispõe de equipamento em número suficiente, tanto mais que ainda recentemente foram adquiridas quatro novas viaturas para este efeito, três das quais já se encontram ao serviço.

O STAL e os trabalhadores entendem que se trata de uma gestão claramente danosa para os interesses da autarquia e dos munícipes, na medida em que se estão a desaproveitar meios humanos e técnicos de que a autarquia hoje dispõe, privilegiando-se uma estratégia privatizadora que todos penalizará, mais tarde ou mais cedo, em benefício da lógica do lucro e dos interesses privados.

Disponíveis para a luta

No Plenário realizado, os trabalhadores manifestaram-se disponíveis para levar a cabo as formas de luta necessárias que tenham em vista o combate à estratégia privatizadora em curso.

Para já a presidente da autarquia, Maria da Luz Rosinha, é acusada de não respeitar os compromissos assumidos com o sindicato, que apontavam para uma discussão prévia com o STAL de quaisquer medidas que viesse a tomar na gestão destes serviços.

Na próxima semana, dia 21 de Julho, o STAL irá intervir na reunião pública da autarquia e denunciar a estratégia em curso, exigindo que sejam tomadas medidas efectivas para a melhoria dos actuais serviços de recolha de resíduos sólidos, nomeadamente no que concerne a um melhor aproveitamento dos meios humanos e técnicos existentes.

Realçando que actualmente estão paradas nas instalações da autarquia sete viaturas de recolha de lixo, muitas delas por avarias de fácil solução, o sindicato considera, em comunicado distribuído aos trabalhadores, que sendo a falta de viaturas um dos principais argumentos da edil para o processo privatizador em curso, a atitude tomada denota demagogia e má-fé.

Assim, todas as formas de luta irá ser equacionadas, incluindo o recurso à greve, caso se mantenham estas intenções.
 

 
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