Trabalhadores podem voltar a paralisar PDF Imprimir e-mail
28-Mai-2004

GREVE DO LIXO NA AMADORA TERMINA HOJE

A recolha de lixo é retomada hoje à noite no concelho da Amadora, no termo de uma greve de cinco dias. Mas os trabalhadores estão decididos a voltar à luta caso a autarquia insista na criação de qualquer empresa para os sectores da higiene urbana ou dos jardins.

 

Os trabalhadores da Câmara Municipal da Amadora começam esta noite a recolher as toneladas de lixo acumuladas ao longo dos últimos cinco dias em todo o concelho, em resultado de uma greve contra a criação de uma empresa municipal para os sectores da higiene urbana e dos jardins.

O STAL saúda a determinação dos trabalhadores neste processo de luta, condena a atitude intransigente da autarquia e do seu presidente ao longo de todo este processo e agradece à população da Amadora a compreensão e solidariedade manifestadas.

Cinco dias de luta

Desde o passado domingo que o concelho da Amadora ficou sem recolha de resíduos sólidos, devido à greve convocada no sector que se estendeu no início da semana aos trabalhadores dos jardins, paralisados durante dois dias, e aos restantes serviços que cumpriram uma greve de solidariedade na segunda-feira, 24.

Foram cinco dias de luta em defesa dos serviços públicos e contra as intenções privatizadoras da autarquia, durante os quais os trabalhadores se mantiveram unidos e conseguiram resistir às ameaças, à coacção e às tentativas de divisão.

O STAL informou já o presidente da Câmara Municipal da Amadora que irá proceder judicialmente contra todos os actos de violação da lei da greve que se verificaram durante todo este processo.

Também as juntas de freguesia que colocaram trabalhadores a recolher lixos domésticos serão alvo de processos judiciais. Recorde-se que este procedimento ilegal esteve na origem de actos de violência que poderiam ter sido evitados.

A falácia do presidente

Apostado em iludir a opinião pública e dividir os trabalhadores, a autarquia e o seu presidente apostaram na demagogia e na falácia para tentar esconder as verdadeiras intenções privatizadoras subjacentes à criação de uma empresa para estes sectores.

O STAL considera que a greve foi a demonstração cabal da firme oposição dos trabalhadores à criação de qualquer empresa para os lixos e jardins da Câmara Municipal da Amadora, lamentando que o edil insista em argumentos demagógicos para justificar a postura de intransigência que tem mantido, postura essa que foi a principal responsável pela realização desta greve.

Em comunicado que começou ontem a ser distribuído à população, o STAL chama a atenção para as «contradições inexplicáveis» do presidente da Câmara, ao considerar que a criação de uma empresa municipal com 49 por cento de capitais privados não constitui em si uma privatização.

O STAL lembra a propósito as afirmações do líder do Partido Socialista, Ferro Rodrigues, que na passada semana condenou expressamente a «privatização» da Águas de Portugal, após o Governo ter anunciado a intenção de alienar 49 por cento do capital desta empresa pública, ou seja, uma percentagem idêntica à que José Raposo pretende privatizar caso a empresa municipal venha a ser criada.

Continuar a luta

Para além da população, os trabalhadores são os principais prejudicados com este processo de luta, perdendo parte importante do seu já magro salário, depois de descontados os cinco dias de greve.

Apesar disso, mostram-se determinados a continuar a combater com firmeza as intenções para privatizar estes serviços, seja ela através da sua concessão, seja pela criação de qualquer empresa.

O STAL reafirma a firme convicção de que é possível melhorar a prestação dos serviços, bastando para tal que a autarquia concretize as propostas que lhe têm sido apresentadas, as quais passam pela responsabilização, pela admissão de mais trabalhadores, pela melhoria das condições de trabalho e pela rentabilização dos meios técnicos que actualmente tem ao seu dispor.

Considerando que o presidente da Câmara Municipal da Amadora deve retirar desta greve as devidas ilações, quer pela determinação dos trabalhadores, quer pelo sentimento de solidariedade e compreensão manifestado pela população amadorense, o STAL sublinha que é urgente aplicar de forma consistente as medidas propostas e que deverão ser abandonadas as intenções de criação da empresa abandonadas.

Em plenário hoje realizado, os trabalhadores do turno diurno do sector da higiene urbana decidiram voltar à greve caso a autarquia apresente uma proposta que vise a criação de qualquer empresa para estes serviços.

Não estando ainda definida a sua duração, os trabalhadores avisam que caso sejam obrigados a entrar de novo em greve, esta terá uma duração superior aos cinco dias da actual paralisação.
Depois do plenário dos trabalhadores do turno nocturno, que se realiza hoje à noite, será enviado, na segunda-feira, novo pré-aviso de greve à autarquia, nos termos e pela duração que for decidida.

 

 
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