Sector ameaça parar oito dias PDF Imprimir e-mail
06-Fev-2004

GREVE DO LIXO NA AMADORA

Os trabalhadores do lixo e dos jardins da Amadora poderão realizar nova greve, desta vez de oito dias, caso seja apresentada qualquer proposta que vise a criação de uma empresa para aqueles serviços.

O aviso prévio, ontem enviado para a autarquia pelo STAL, informa que terá início uma greve de oito dias assim que seja apresentada «uma proposta relacionada com a criação de uma empresa municipal ou intermunicipal, ou que, de qualquer outra forma, tenha o objectivo de proceder à empresarialização, privatização ou concessão» dos serviços.

A greve foi decidida na passada sexta-feira, em plenários realizados com os trabalhadores do sector, no final da paralisação que durante cinco dias deixou o concelho da Amadora sem recolha de lixo.

Presidente pode evitar a greve

Em comunicado que se está a ser distribuído à população, o STAL agradece, em nome dos trabalhadores, «a compreensão e solidariedade manifestadas», considerando que o «presidente da Câmara pode melhorar os serviços e evitar nova greve».

Realçando que para além da população, os trabalhadores foram os mais prejudicados com a greve, que lhes custou cinco dias de salário, o sindicato realça a sua determinação em manter a luta em defesa dos serviços públicos na Amadora.

Trabalhadores têm soluções

Para o STAL, a decisão de evitar a nova greve cabe agora ao presidente da autarquia e ao vereador do pelouro, José Evangelista. Refutando os argumentos camarários para a criação da empresa, o comunicado lembra as propostas que os trabalhadores têm vindo a apresentar para a melhoria dos serviços, designadamente a admissão de mais trabalhadores, a melhoria das condições de trabalho, a rentabilização dos meios técnicos existentes e a implementação de uma cultura de responsabilização na gestão dos serviços.

Para o STAL, a criação de uma empresa representa o início da privatização», que acarretará aumentos nas taxas sem qualquer benefício para os serviços, servindo ainda para criar mais alguns lugares no conselho de administração com altos salários, carros de luxo e outras mordomias.

Recomeço caótico e irresponsável

O recomeço caótico e irresponsável da limpeza do concelho da Amadora, que se verifica desde a madrugada do passado sábado, 29 de Maio, é revelador da forma como são geridos os actuais serviços camarários.

O STAL lamenta que, num acto de clara vingança, os trabalhadores tenham sido proibidos de realizar qualquer trabalho extraordinário e não tenham sido reforçados os turnos no fim-de-semana, de modo a permitir a célere remoção das muitas toneladas de resíduos domésticos acumuladas ao longo dos cinco dias de greve.

Prolongaram-se assim, injustificadamente, por exclusiva responsabilidade do presidente da Câmara e do vereador José Evangelista, os incómodos à população.

Com a mesma responsabilidade com que estiveram na greve, cumprindo os serviços mínimos e acautelando situações que pudessem fazer perigar a saúde pública, mais do que ninguém os trabalhadores desejam que o concelho da Amadora seja rapidamente limpo.

Assim o não quiseram os responsáveis camarários que acabaram também por colocar ao serviço alguns trabalhadores cantoneiros sem qualquer experiência de trabalho em carros de recolha, fazendo perigar a sua integridade física.

Por outro lado, os mesmos responsáveis camarários deram instruções para que os carros descarregassem o lixo recolhido nos Estaleiros Municipais dos Moinhos da Funcheira, transformando este local numa autêntica lixeira a céu aberto, violando todas as normas legais para o transporte e depósito de resíduos sólidos domésticos.
 
 

 
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