A situação que o país vive espelha a irresponsabilidade do Governo PDF Imprimir e-mail
17-Out-2003

SOBRE A VAGA DE INCÊNDIOS

O STAL, considera que a situação caótica e de autêntica catástrofe provocada pela vaga de incêndios que assola o País espelha a irresponsabilidade governativa do actual executivo PSD/PP, manifesta solidariedade para com os bombeiros, trabalhadores e todos quantos estão envolvidos no combate aos fogos, bem como às populações atingidas, lamentando desde já a perda de vidas humanas.

 

A desorganização na coordenação das opera-ções e a falta de meios humanos e técnicos, são o reflexo de uma política economicista que optou pela subserviência aos grandes interesses capitalistas, pelo clientelismo e pela tentativa de desmantelamento dos serviços públicos, onde se inclui naturalmente o sector da protecção civil.

Situação que também se faz sentir ao nível das autarquias locais, sector que tem sido ao longo do mandato do actual Governo fortemente penalizado por restrições orçamentais que impedem uma desejável política de investimento em meios humanos e técnicos nas corporações de bombeiros, bem como uma efectiva prevenção, nomeadamente ao nível da limpeza de matas e florestas.


Meios humanos diminuíram

Ao contrário do que o Governo agora propala, a verdade é que o número de meios humanos existentes para o combate e prevenção aos incêndios é hoje inferior ao que existia quando tomou posse.

De facto, e contrariando sugestões por diversas vezes apresentadas pelo STAL no âmbito de reuniões sobre o sector dos bombeiros profissionais, a visão puramente economicista do Governo levou a um decréscimo substancial dos Grupos de Intervenção Permanentes (GIP’s) corpo especial de bombeiros criado fundamentalmente para tarefas de prevenção e combate imediato aos incêndios.
São profissionais que hoje faltam, de cuja existência depende em muito uma efectiva e pronta intervenção sobre incêndios que deflagram.

Mas também os postos de vigia das florestas e as equipas de vigilantes móveis foram substancialmente diminuídos, situação que claramente restringe a capacidade preventiva.

Por exemplo, só no distrito de Viana de Castelo a redução destes profissionais foi superior a 70%, bem como se assistiu a uma redução drástica dos meios aéreos, em 50%.


A lógica do lucro

Tal como na generalidade da Administração Pública, a cedência do Governo aos interesses privados faz-se sentir também neste sector.

E quando se preparam novas investidas sobre serviços públicos como a água e o saneamento, faz sentido lembrar as críticas que têm vindo a ser tecidas por alguns autarcas, nomeadamente pela presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, à forma como são geridos os meios aéreos de combate aos incêndios.

Ao invés de investir em meios técnicos aéreos que agora todos constatamos faltarem, a atitude do Governo tem sido a de recorrer ao sector privado.

Mais uma vez aqui se prova que a lógica do lucro é incompatível com a prestação de umserviço público de excelência – aos privados proprietários dos meios aéreos de combate dos incêndios interessará eventualmente que estes deflagrem, pois só assim poderão obter lucro!


Dignificar as carreiras

Num momento em que tanto se fala dos bombeiros, importa lembrar que o Governo PSD/PP nada tem feito no sentido de responder às suas justas reivindicações.

A criação da carreira única de Bombeiro Profissional, a valorização profissional e salarial e a criação de uma portaria regulamentadora para os profissionais ao serviço das associações humanitárias de bombeiros voluntários são apenas algumas das questões que o STAL há muito vem levantando junto do Governo, para as quais não obtém resposta.

Tal como a regulamentação do Suplemento de Insalubridade Penosidade e Risco, que a realidade infelizmente prova ser uma das prioridades mas que a insensibilidade e o economicismo cego do actual governo nega a todos quantos diariamente arriscam a vida em defesa das populações.

O STAL continuará, com os trabalhadores deste sector, a lutar pela dignificação e pela valori-zação profissional de todos, certos de que só assim poderemos amanhã responder com me-lhor eficácia às solicitações humanitárias que a sociedade nos faz e de que só assim é possível a prestação de um serviço público de qualidade!


Defesa da honra

Ao afirmar que os bombeiros profissionais “não sabem apagar fogos nas florestas”, o Coordenador do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil afrontou a dignidade e a honra de todos os bombeiros profissionais.

Trata-se de uma atitude vergonhosa de quem não reconhece os erros cometidos, não sai do quartel e não coordena e agora se escuda com aqueles que efectivamente arriscam todos os dias a vida em prol da comunidade.

Estas afirmações, vindas de quem se passeia em carros de luxo de valor superior a trinta mil contos e recebe um ordenado que daria para pagar o vencimento a cerca de dez bombeiros, merecem o nosso mais vivo repúdio.
Os bombeiros profissionais têm capacidade, experiência e preparação como nenhuma entidade neste País detém. E o STAL desafia o Coordenador do SNB a provar as patéticas afirmações que fez, as quais deveriam desde já dar lugar a um processo de demissão, que exigimos!


Solidariedade com as vítimas

O STAL manifesta solidariedade a todos os profissionais e voluntários actualmente envolvidos no combate aos incêndios que devastam o País, bem como às populações atingidas.

Também aos familiares das vítimas mortais a Direcção Nacional do STAL apresenta sentidas condolências.

A actual situação que atravessamos é efectivamente de calamidade pública e lamenta-se que muito tardiamente o Governo disso se tenha apercebido.

As responsabilidades terão de ser encontradas e delas o Governo também não pode fugir. A reacção foi tardia, mas a prevenção foi de facto inexistente e a política economicista que tem vindo a prosseguir em muito contribui para a notória falta de meios humanos e técnicos que o País inteiro já percebeu existir.

No fundo, não é só a atitude deste ou daquele responsável que está hoje em causa. É a atitude de todo um governo incompetente que não serve os interesses do País, dos trabalhadores e dos cidadãos!

Vamos continuar a luta!
Pela dignificação profissional!

Pelas carreiras!

Pelos salários!

Pelo suplemento de insalubri- dade, penosidade e risco!

Por um serviço público
de qualidade!

 

 
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