22 MARÇO – DIA MUNDIAL DA ÁGUA
O dia 22 de Março está instituído pelas Nações Unidas desde 1993 como Dia Mundial da Água, decorrendo este ano sob o lema “Água Limpa, para um Mundo Saudável”.
Neste dia, a Associação Água Pública e o STAL - Sindicato Nacional dos
Trabalhadores da Administração Local - saúdam os trabalhadores e
organizações que lutam no mundo inteiro pela água pública e manifestam o
regozijo pelas vitórias conseguidas, cada vez mais numerosas.
Mas tanto à escala mundial, como à escala nacional, são ainda muitos os
motivos de apreensão.
A poluição e a utilização desregrada da água, do solo e dos recursos
vivos, conduzida essencialmente por lógicas especulativas e de lucro
individual de curto prazo, tem vindo a agravar aceleradamente a dimensão
dos problemas sociais, ecológicos, económicos e de catástrofes
associadas à água.
As políticas privatizadoras têm vindo a entregar a um pequeno número de
multinacionais a exploração e administração de facto dos mananciais de
água. São privatizados os rios, os aquíferos subterrâneos, os recursos
pesqueiros, as praias, as margens e os leitos dos rios. Os leitos de
cheia são disputados pela especulação imobiliária. À poluição industrial
e à agricultura intensiva com elevada aplicação de pesticidas e adubos,
soma-se a nova corrida aos biocombustíveis e às hidroeléctricas,
aumentada pela crise energética, e a apetência por esses negócios de
elevada aplicação de água. A visão de curto prazo conduz à exaustão e
degradação dos recursos e das infra-estruturas e à precarização do
trabalho.
A degradação da natureza, a exploração do trabalho e a maximização do
lucro, estão cada vez mais presentes nas políticas da água impostas,
nomeadamente em Portugal. Marcam toda a legislação, com ênfase para as
Leis da Água e da Titularidade dos Recursos Hídricos aprovadas em 2005 e
a profusa legislação sectorial posterior.
O Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico
aguardou esta legislação para ser lançado, configurando-se agora as
concessões que entregam os rios e o maior potencial energético português
a privados em que se incluem a IBERDROLA e a EDESA. São cobradas taxas
pela utilização da água, do domínio público hídrico e das
infra-estruturas públicas que recaem sobre a População. Despreza-se o
uso harmonioso e sustentado da água.
O acesso à praia de Tróia é já um negócio privado.
Prepara-se a abertura do mercado da água e do domínio público hídrico.
O abandono das responsabilidades do Estado e a destruição dos serviços
públicos para deixar campo aberto aos grandes interesses é manifesto na
legislação que subverte a função pública, na eliminação dos postos de
trabalho, no estrangulamento financeiro e operacional das autarquias, e
ainda, na empresarialização dos serviços públicos visando a sua futura
privatização.
O impacto destas políticas é devastador em todos os sectores económicos
utilizadores da água, com destaque para a agricultura, pesca, pecuária,
produção eléctrica e indústria transformadora - na vida quotidiana dos
cidadãos e na exposição a acidentes e catástrofes, - nos ecossistemas,
no território e no património natural – na economia doméstica, na
micro-economia e na macro-economia – bem como no agravamento das
assimetrias económicas e sociais.
O abastecimento de água às populações
Perante a oposição das populações e a recusa da larga maioria das
autarquias à entrega do “mercado do abastecimento de água”, o Governo
desencadeou uma ofensiva para arrancar as competências autárquicas e
engordar o negócio da água.
A par do estrangulamento financeiro, acentuam-se as restrições e
exigências legais cada vez mais pesadas com o objectivo de
impossibilitar as autarquias de prestar esses serviços. Ilegaliza-se o
auto-abastecimento e outras formas de acesso comunitário não comercial,
como pequenos sistemas geridos a nível de freguesia.
Dificultando de todas as formas a intervenções e melhoramentos
autárquicos nos sistemas de águas, pressiona-se as Autarquias à
privatização directa ou a transferir as competências para o Governo,
total ou parcialmente, através de uma figura legal criada para esse
efeito, os Sistemas Multimunicipais, que imediatamente são
concessionados a sociedades anónimas do Grupo Águas de Portugal SA, de
capitais maioritáriamente públicos, controlados pelo Governo.
O Grupo Águas de Portugal, SA, tem vindo a ser moldado na óptica
empresarial, de geração de lucros, e na perspectiva da sua futura
privatização -à semelhança do que o Governo pretende agora fazer com a
Rede Eléctrica Nacional. Operação que só não foi ainda iniciada porque
não está completa a transferência de propriedade pública para as Águas
de Portugal e pela luta das populações. Contudo, isto não impediu o
governo PS de ter privatizado a empresa desse grupo, a Aquapor (presente
em 24 municípios/345 mil pessoas abastecidas).
Para assegurar lucros sem risco e cobertura financeira das empresas,
impõem-se subidas obrigatórias da factura da água à população e o
nivelamento dos tarifários pelos valores mais altos praticados como é o
caso da empresa Águas da Região de Aveiro.
É imprescindível travar a visão mercantilista da água e de destruição
dos serviços públicos, dos direitos das populações e dos trabalhadores
que ao longo de décadas têm colocado a sua experiência e saber ao
serviço de todos os portugueses.
É por isso que neste dia, a Associação Água Publica e o STAL reafirmam
uma vez mais o seu empenho na defesa da água como bem público, comum e
universal e exigem uma gestão pública democrática, de qualidade,
sustentável e próxima dos cidadãos, garantindo que a água que é de todos
continuará acessível a todos.
19-03-2010 - Dia Mundial da Água - Cartaz (468.24 kB)
19-03-2010 - Dia Mundial da Água - Folheto (1.27 MB)
23-02-2009 Sondagem Privat. Serv. Municipais - Síntese (1.48 MB)
26-02-2009 Sondagem Privat. Serv. Municipais - Integral (6.16 MB)
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