SOBRE AS DECLARAÇÕES DE CAVACO SILVA EM RELAÇÃO À COMPENSAÇÃO SALARIAL NOS AÇORESO STAL considera que as declarações do Presidente da República e actual candidato ao cargo que ocupa, sobre a compensação salarial instituída pelo Governo regional dos Açores aos funcionários públicos, constituem um deplorável acto de demagogia eleitoral e demonstram mais uma vez o desprezo que o cidadão Cavaco Silva nutre pelos trabalhadores.
Para além de frisar a especificidade que a situação de insularidade
provoca nos trabalhadores das regiões autónomas dos Açores e da Madeira,
o STAL não pode deixar de considerar que as declarações de Cavaco Silva
estão eivadas de uma profunda carga demagógica, desde logo porque na
sua prontidão em defender a equidade tributária esquece que tal
princípio foi já a montante desvirtuado, mormente quando foram aprovados
cortes salariais aos trabalhadores com salários superiores a mil e
quinhentos euros.
Atitude tão mais deplorável quando confrontada com o silêncio do
Presidente Cavaco Silva sobre a aprovação de tais cortes pelo Governo,
sabendo de antemão que estávamos (e estamos) perante uma medida de
duvidosa constitucionalidade, injustas e imorais.
Marca indelével
O STAL não pode deixar de neste momento, em que se aproxima o final de
um mandato presidencial e quando cada vez mais se confunde a acção de
Cavaco Silva Presidente da República com a de Cavaco Silva cidadão e
candidato ao cargo que ocupa, lembrar que estamos perante o mesmo homem
que durante cinco anos assistiu impávida e serenamente a lamentáveis e
vergonhosos episódios de corrupção e de abuso de poder, sem que alguma
vez tenha assumido de forma efectiva o seu papel de mais alto magistrado
da nação.
Tal como não o assumiu quando, pesem embora as dúvidas que levantou,
promulgou o novo regime de carreiras dos trabalhadores da Administração
Pública, diploma que constitui uma autêntica perversão da Constituição
da República Portuguesa ao promover o desmantelamento do aparelho do
Estado e a destruição do vínculo público.
O STAL considera que este lamentável episódio provocado pelo actual
Presidente da República contribuiu para acentuar um comportamento de
total desrespeito e desprezo pelos interesses e direitos dos
trabalhadores, que constitui uma marca indelével de Cavaco Silva desde
os tempos de má memória em que assumiu funções de Primeiro Ministro.
Garantir equidade nos Açores e na Madeira
Não contestando a medida que o Governo Regional dos Açores aprovou no
sentido de minimizar os impactos profundamente negativos que os cortes
draconianos do Governo sobre os salários dos trabalhadores da
Administração Pública provocarão, o STAL não pode deixar de lembrar que a
decisão agora tomada discrimina no entanto de forma injusta os
trabalhadores da Administração Local, pelo que exige a sua urgente
correcção.
De facto, refugiando-se no princípio da autonomia do Poder Local, o
Governo Regional dos Açores deixa de fora do universo daqueles que serão
abrangidos pela medida de compensação salarial todos os trabalhadores
das autarquias locais daquela Região Autónoma.
Afirmando a defesa intransigente do princípio constitucional da
autonomia do Poder Local, o STAL lembra no entanto que os trabalhadores
das autarquias açorianos são inquestionavelmente trabalhadores e
cidadãos daquela região autónoma, sofrendo, tal como os restantes
trabalhadores, dos problemas de insularidade que nortearam a aprovação
das referidas medidas de compensação salarial, pelo que estamos perante
uma questão de justiça e de equidade.
Em acréscimo e por outro lado, estamos perante matéria salarial, que em
regra está vedada a qualquer decisão autónoma das autarquias mas não à
dos órgãos de soberania regionais. Pelo que, na opinião do Sindicato,
nada obsta a que o Governo Regional dos Açores estenda aos trabalhadores
das autarquias as medidas de compensação salarial.
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