O STAL CONFRONTOU O PRESIDENTE DA CÂMARA DE AVEIRO QUANTO AO FUTURO DA EMPRESA MUNICIPAL
O STAL esteve presente na reunião da Câmara Municipal de Aveiro realizada hoje, tendo entregue ao Presidente e à vereação uma Carta Aberta na qual manifesta a sua clara oposição à entrega de um conjunto de circuitos de transporte a privados, medida que criará desemprego e seguramente irá piorar a qualidade do serviço público de transportes em Aveiro.
Afirmamos nesta Carta Aberta que:
1. Propõe a Câmara que a MOVEAVEIRO “suspenda a sua actividade e operação nas actuais linhas que, no geral, se sobrepõem a linhas e percursos operados pela TRANSDEV.” Ou seja, numa espécie de “ajuste directo”, entregam-se os circuitos mais rentáveis operados pela MOVEAVEIRO, por um prazo de dois anos, sendo que tudo o resto é igualmente vago afirmando-se meramente que tal “documento” será objecto de monitorização.
2. Alega a CMA que a “sustentabilidade económica” e a viabilidade financeira da MOVEAVEIRO dependem da expressão financeira das medidas ora propostas, dentre elas, a “redução dos custos salariais mensais directos estimados em 12,5%.”, o que só é possível através de despedimentos ou reduções salariais…
3. Com isto a CMA privatiza os lucros (circuitos mais rentáveis), fica com os prejuízos (linhas menos rentáveis), agravando e debilitando ainda mais a situação económico-financeira da empresa cujo fim entretanto anuncia e prepara. Tal caminho levará ao despedimento dos trabalhadores “excedentários”, motoristas (que poderão ascender a cerca de 30 trabalhadores), desde logo os que ficarão sem efectuar os circuitos transferidos para os privados (que apenas absorverão um pequeno nº de trabalhadores, 6 / 7), além das repercussões e impactos na diminuição de outras actividades como fiscalização, administração, oficinas, etc.
4. Como se não bastasse, a CMA retoma os processos de privatização/concessão do estacionamento tarifado, o que levará a mais uma perda significativa de receita, bem como do transporte fluvial, com graves consequências económicas e sociais para os aveirenses.
5. Face a tudo isto o STAL não pode deixar de manifestar a sua mais profunda discordância face ao caminho que está a ser proposto pela autarquia o qual põe em causa o emprego de 79 trabalhadores detentores de vínculo à empresa. E lembra que os restantes 71 pertencentes ao quadro do município poderão, caso esta estratégia de destruição da empresa prossiga, ser atirados para a situação de mobilidade com tudo o que isso significa.
6. Estamos conscientes dos fortes constrangimentos a que as autarquias e a gestão municipal se encontram actualmente submetidas. Todavia reafirmamos que o caminho não é o desmantelamento da empresa e a sua entrega a retalho aos interesses privados, situação que criará mais desemprego, piores serviços, preços mais elevados e desigualdades entre utentes, com gravíssimos impactos para a vida da comunidade aveirense.
7. Estamos convictos que a alternativa é a defesa da manutenção integral do serviço público prestado pela MOVEAVEIRO e dos seus trabalhadores, pois essa é a melhor garantia de que todos os aveirenses continuarão a ter direito à mobilidade. Continuamos a partilhar a visão de que a gestão pública municipal contém todas as condições para prestar, com vantagem relativamente ao sector privado, melhores serviços às populações no quadro do respeito pelos princípios da solidariedade, da coesão social e territorial e da sustentabilidade ambiental.
O STAL reafirma que não abdicará de nenhuma das prerrogativas em matéria de consulta e negociação, assumindo desde já que tudo faremos, para promover o debate envolvendo eleitos autárquicos, trabalhadores e as populações tendo como objectivo central a construção de uma solução que vise a salvaguarda e a melhoria de um serviço público que é essencial para o desenvolvimento e qualidade de vida no município de Aveiro e para a valorização e dignificação dos trabalhadores.
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