Crise potencia doenças do foro psicológico PDF Imprimir e-mail
17-Set-2012

logo-oms.jpgORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE

Porque problemas como o desemprego ou a degradação do poder de compra contribuem para o aumento de doenças do foro psicológico, fazendo aumentar nomeadamente depressões e suicídios, a Organização Mundial de Saúde prepara-se para alterar os critérios de diagnóstico para problemas de natureza psicológica, passando a incluir a crise entre as suas causas.

Para grande parte dos Portugueses, o mês de Setembro marca o início de mais um ano de trabalho: acabadas as férias, vem o regresso ao trabalho e a azáfama habitual para quem tem que preparar tudo para o novo ano escolar dos filhos. E se muitos foram já privados de “gozar” férias pelas medidas de austeridade impostas durante um ano de Governo Passos Coelho/Portas, muitos são também aqueles que fazem contas à vida face ao corte brutal nos seus rendimentos, mas também à redução do apoio social escolar, do fim do passe escolar, etc.

E porque aumentar o custo de vida, a degradação dos salários e o horário de trabalho com redução do pagamento de horas extraordinárias, flexibilizar e embaratecer os despedimentos ou tirar aos trabalhadores parte do subsídio de Natal em 2011, agravar os impostos, encerrar escolas e estabelecimentos de saúde é coisa pouca para quem nos governa, eis senão quando nos brindam com a retirada dos subsídios de férias e de natal aos trabalhadores do sector público. Mas como não bastasse a inconstitucionalidade desta última medida, decretada pelo Tribunal Constitucional (TC), o aluno preferido da Senhora Merkel (leia-se Passos Coelho), veio agora anunciar um novo conjunto de medidas, que mais não são que uma verdadeira atrocidade cometida contra o povo Português, roubando entre dois a três salários aos trabalhadores da Administração Pública e reformados e um salário aos trabalhadores do sector privado e aumentando em 7% a contribuição dos trabalhadores para a Segurança Social.

Em nome da crise, o desemprego atinge níveis recorde e a delapidação do povo português assume proporções dramáticas, que se reflectem, entre outros, no aumento do número de depressões e suicídios. E de tal forma o é, que a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) vai alterar os critérios de diagnóstico para problemas de natureza psicológica, passando a incluir a crise entre as suas causas.

As especificidades das finanças pessoais vão ser exploradas até ao limite, já que grande parte dos casos psiquiátricos está relacionado com o início do desemprego e a baixa escolaridade em idade adulta, explicou Carlos Lima1 , responsável pelo Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental do Hospital de Guimarães.

No campo dos motivos financeiros, serão especificadas causas concretas como o desemprego, o crédito da casa e o divórcio.

http://noticias.sapo.pt/interncional/artigo/crise-vai-ser-reconhecida-como-c_4530.html
Consultado em 12.09.2012


psicologia.jpgComo referiu o psiquiatra Horácio Firmino à Lusa2 
Existe um conjunto de circunstâncias que são precipitantes da doença mental, os aspectos psicossociais e, dentro destes, existem, nomeadamente, a desnutrição, o desemprego, a falta de dinheiro, toda a situação de “stress” vivencial que tem a ver com a crise económica que vivemos.


E é neste quadro que se torna ainda mais premente a intervenção do STAL nos locais de trabalho e juntos dos trabalhadores. Trabalhadores que, a par de tudo o que aqui já foi dito, têm sobre o pescoço o cutelo da mobilidade forçada, dos despedimentos, da destruição do Poder Local, da extinção do Sector Empresarial local e das freguesias.

Os Representantes dos Trabalhadores para Segurança e Saúde no Trabalho têm aqui um papel de extrema importância. São eles que estão, no dia-a-dia, junto dos trabalhadores, muitas vezes conhecendo as suas dificuldades profissionais e pessoais, as suas famílias, as suas casas, as suas necessidades e o seu desespero. Porque, em muitos casos sabem, de viva voz, que se ficou sem comer para o filho ter uma refeição na escola, que não se tomou este ou aquele medicamento porque a dívida na farmácia já vai longa, porque à saída do trabalho ainda esperam mais umas longas horas num qualquer biscate para ajudar a pagar a renda, porque o corpo já não aguenta e a cabeça não tem descanso…
Porque cada vez mais, o dia de milhões de portugueses já se mistura com a noite, num turbilhão de pensamentos que, incessantemente, procuram soluções, este é um combate que todos temos que travar, ombro a ombro e de braço dado.
Porque quando se luta nem sempre se ganha, mas sem luta perde-se sempre, sabemos que, só unidos e sem deixar ninguém para trás, conseguiremos travar o brutal ataque que os grandes grupos económico-financeiros - através de governos manietados como o de Passos Coelho/Portas - desferem sobre quem trabalha, hipotecando a seu bel prazer o nosso presente e o nosso futuro, bem como o presente e o futuro dos nossos filhos e dos nossos netos.

E é por isso que, todos juntos, levantamos bem alto a bandeira

A LUTA CONTINUA!

 

                                                                                   

1Carlos Lima integra, juntamente com Horácio Firmino, a equipa de médicos portuguesa que vai trabalhar na revisão dos critérios de diagnóstico das doenças mentais da Organização Mundial de Saúde
2http://noticias.sapo.pt/nacional/artigo/crise-leva-a-aumento-de-procura-_4537.html , consultada em 12.09.2012
 

 
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