| Fartos de mentiras, Estamos em luta |
| 31-Mai-2005 | |
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As medidas anunciadas para combater o défice orçamental representam a continuação da violenta e abjecta ofensiva contra a Administração Pública e os nossos direitos, ao mesmo tempo que permanecem intocáveis os verdadeiros responsáveis pelos problemas económicos do país. - Não podemos admitir o novo roubo nos direitos de aposentação, o aumento da idade de reforma, e o corte nas pensões! - É inadmissível que se pretenda destruir a Caixa Geral de Aposentações - Não vamos aceitar que se congelem novamente as mudanças de escalão e se pretenda restringir o direito à promoção! - Em campanha eleitoral, Sócrates prometeu não aumentar os impostos! A aplicação destas medidas apenas virá agravar as dificuldades do país, destruir direitos sociais, aumentar brutalmente a riqueza de duas dezenas de famílias já escandalosamente ricas, aprofundar as desigualdades, criar mais desemprego e permitir a redução dos salários. Os trabalhadores não são os culpados pelos desastres das políticas de direita! A coberto do défice, o Governo pretende:
- Aumentar os impostos, agravando drasticamente o custo de vida Uma vez mais a Administração Pública e os seus trabalhadores estão a ser transformados num autêntico «bode expiatório» para os problemas económicos do país, originados sobretudo pelos graves erros de governação dos últimos anos!
Guterres preparou as famigeradas «50 medidas», prevendo a redução do número de funcionários, o congelamento das carreiras, a moderação dos salários e das comparticipações da ADSE, o ataque à aposentação, a destruição de serviços públicos, a retirada de subsídios e suplementos remuneratórios e restrições no direito à greve, designadamente na definição dos serviços mínimos. Durão aprofundou esta linha de ataque, juntando à política de congelamento dos salários, de redução das comparticipações da ADSE e de roubo dos direitos, incluindo o da aposentação, a pseudo «reforma» da Administração Pública e medidas como o novo sistema de avaliação de desempenho, o contrato individual do trabalho, o novo quadro de excedentes, o aumento das privatizações, a partidarização dos cargos de chefia e a aplicação agravada do Pacote Laboral. Sócrates vem agora, qual cromo repetido e refinado, assumir o papel de fiel seguidor destas políticas, anunciando a implementação de medidas que na prática poucos reflexos têm para a redução imediata do défice, antes constituem um claro aproveitamento da situação económica para alterações estruturais há muito pretendidas pelo grande capital. Exigimos outra política Para combater o défice, aumentar as receitas e diminuir as despesas do Estado, é possível e desejável outra política:
- Uma efectiva e enérgica política de combate à fraude e evasão fiscais, que neste momento se calcula envolver 11,4 mil milhões de euros; É possível outra política - O governo afirma querer poupar cerca de 840 milhões de euros com as medidas agora anunciadas… mas só no período compreendido entre 2001 e 2003 o Estado perdeu cerca de 5.020 milhões de euros em benefícios fiscais concedidos às empresas! Basta de sacrifícios Penalizam-se os trabalhadores da Administração Pública sempre que surgem notícias de problemas financeiros no país, normalmente anunciados pelo autêntico «profeta da desgraça» em que já se transformou o Governador do Banco de Portugal, Victor Constâncio, sempre ao serviço do grande capital. E porque não é ele o primeiro a dar o exemplo nos sacrifícios que exige, reduzindo o seu salário superior a 4 mil contos mensais, as mordomias que lhe estão atribuídas e o complemento de reforma de milhares de euros que irá receber quando deixar de exercer funções? Porque não dão o exemplo as centenas de deputados que às chorudas pensões de reforma somam ainda um subsídio de reintegração de milhares de euros (entre os 20 e os 62 mil)?
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