ADESÃO SUPERA OS 90%
30-Mai-2007

GREVE GERAL FAZ-SE SENTIR EM TODO O PAÍS

Após uma forte adesão na recolha de lixo e nos transportes urbanos, a Greve Geral teve durante a manhã um grande impacto na grande maioria das autarquias do país, bombeiros, escolas, creches, jardins de infância e empresas municipais, apesar de se terem registado algumas tentativas de coacção e violação do direito de greve.

A maioria das cidades do País não teve durante a noite e ao início da manhã recolha de lixo e limpeza das ruas e os transportes urbanos municipais estiveram praticamente todos parados, nomeadamente em Aveiro e Barreiro (100%), Braga (90%) e Coimbra (80%).

Durante a manhã, nas câmaras municipais e juntas de freguesia, centenas de serviços permaneceram de portas encerradas, nomeadamente no atendimento ao público, muitos cemitérios realizam apenas os funerais e a grande maioria dos sectores de obras e de manutenção não funcionam.

STAL saúda determinação dos trabalhadores e
condena violações do direito de greve

Os dados conhecidos permitem desde já apontar para os mais elevados índices de adesão de sempre em todo o sector da Administração Local e Regional, que seguramente irão superar os 90 por cento, transformando a Greve Geral convocada pela CGTP-IN numa inequívoca expressão da revolta dos trabalhadores contra a política anti-social e anti laboral prosseguida pelo Governo de José Sócrates, apesar de se terem registado diversas tentativas de imposição de serviços mínimos ilegais e limitações do direito de greve, como aconteceu nos Serviços Municipalizados de Loures, através de um despacho ilegal e após intervenção extemporânea do Ministério do Trabalho.

O STAL saúda desde já a forte participação dos trabalhadores na Greve Geral, que constitui um clamoroso cartão vermelho à política de ataque aos direitos sociais e laborais que o Governo tem levado a cabo, e considera que esta poderosa afirmação da capacidade reivindicativa e do espírito de luta no sector se deve manter e ampliar, nomeadamente no combate à inadmissível proposta de revisão do regime de vínculos carreiras e remunerações que o executivo de José Sócrates pretende levar por diante.

Ao princípio da madrugada, o Sindicato tinha já denunciado tentativas de coacção em Sintra, na HPEM - Higiene Pública, empresa municipal que fez circular também viaturas de recolha com apenas um cantoneiro de limpeza, em violação de elementares normas de segurança no trabalho, bem como a grosseira tentativa da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira de minorar os impactos visíveis da Greve, pondo a circular três viaturas de recolha já completamente atulhadas de lixo.

Entretanto foram também conhecidos novos e lamentáveis episódios de violação do direito de greve, nomeadamente em:

• Aveiro: na empresa municipal de transportes (MOVEAVEIRO), onde uma técnica superior abriu as instalações sob a responsabilidade dos encarregados que se encontravam em Greve, ilegalidade que mereceu forte contestação por parte do Piquete e acabou por ser reconhecida pela própria técnica. Esta terá sob instruções de um engenheiro ao serviço da empresa, que logo ao início da manhã tinha provocado incidentes com o Piquete de Greve;

• Braga: na empresa municipal de transportes (TUB), que recorreu a trabalhadores em gozo de férias ou folgas para substituir colegas em greve;

• Gavião: na Câmara Municipal, que substituiu um motorista e dois cantoneiros de limpeza no sector da recolha de resíduos sólidos.

• Amadora: na Escola EB1J1 José Ruivo, onde o presidente do agrupamento que integra a referida escola procedeu à substituição de trabalhadoras em greve no Jardim de Infância por outras que normalmente não estão afectas a esses serviços, tendo ainda deslocado as crianças do espaço onde permanecem habitualmente (apropriado àquela faixa etária) para o edifício da Escola Básica.


O STAL está a acompanhar estas e outras situações que ocorram ainda durante o dia de hoje e irá accionar todos os mecanismos legais no sentido de as combater e punir os seus responsáveis, criminalmente se necessário, e considera que os direitos fundamentais dos trabalhadores não podem ser atropelados pelo patronato ou pelo poder político, em claro atropelo da democracia e das liberdades e garantias constitucionalmente consagradas.


Lisboa, 30 de Maio de 2007

A Direcção Nacional do STAL


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